Lipídios da Digestão até a Eliminação

Se você pensava que a energia do ser humano se resumia apenas às proteínas e carboidratos, você estava muito enganado. Depois dos nossos textos falando sobre os carboidratos e as proteínas de uma forma bem explicativa, necessária neste caso, mostrando o quanto nós precisamos de cada um deles, chegou a hora de falarmos mais uma vez sobre outra fonte relevante de energia para o ser humano: os lipídios. E o que são os lipídios, qual seria a definição de um lipídio para que você possa entender bem o que estes representam no cenário energético do nosso organismo?

Bem, os lipídios podem ser considerados como macronutrientes, um tipo de gordura que possui várias funções dentro do nosso corpo. Funções que passam pelo campo energético, estruturais e hormonais dentro do nosso corpo. Por exemplo, as gorduras e os óleos, que também são um tipo de lipídio, têm como função primária proporcionar energia para o nosso organismo; já os fosfolipídios são um dos principais personagens na construção da membrana celular, sendo esta uma das mais importantes tarefas estruturais estudadas na biologia. Como você já pode notar existe diferentes tipos de lipídios, que podem ser diferenciados através das composições químicas e das propriedades físicas, sendo todos estes solúveis em solventes orgânicos. Os lipídios simples são os ácidos graxos, as gorduras neutras e as ceras; os lipídios compostos são os fosfolipídios, os glicopídeos e a lipoproteína; e os derivados são os esteróis e os hidrocarbonetos.  Uma atenção especial deve ser dada aos ácidos graxos, que estão presentes em quase todos os tipos de lipídios, possuindo este dois tipos de ligação, uma saturada e outra insaturada. O fato é que alguns tipos de ácidos graxos podem ser sintetizados pelo nosso corpo, enquanto aqueles que não podem ser condensados, não obstante obrigatórios na nossa alimentação de cada dia, acabam por ser chamados de ácidos graxos de suma importância. Mas, não vá pegar pesado na ingestão de lipídios, pois vários estudos vêm relacionando o consumo exagerado dos mesmos às doenças coronarianas, ou seja, o estreitamento das artérias em decorrência do acúmulo de placas na mesma. A mesma coisa que acontece com o acúmulo de colesterol nos vasos sanguíneos.

DIGERINDO E ELIMINANDO OS LIPÍDIOS

Todo o processo, logicamente, começa na boca da pessoa. Os lipídios estimulam uma secreção da lípase das glândulas serosas na base da língua, antecedendo uma digestão que acontecerá no estômago. E que digestão é essa? A das gorduras que estão sendo enviadas lá para baixo. Essa digestão ocorre através da lipase gástrica, que faz com que os triglicerídeos sejam hidrolisados, transformando-se em ácidos graxos e glicerol. Como podemos ver, essa digestão faz com que as partes mais básicas dos lipídios sejam separadas. Mas, é no intestino delgado que boa parte da digestão acontece, algo que é consequência direta da lipase pancreática, assim como as gorduras e proteínas que já se fazem presentes no intestino, atenuando a secreção que vai acelerar o processo digestório. Esta secreção, que chamamos de CCK, vai fazer com que outras duas secreções aconteça, a biliar e a pancreática.

O caminho continua com a formação das micelas, uns complexos que são construídos a partir da digestão dos ácidos graxos livres e dos monoglicerídeos, que são gorduras mais simples. Com toda aquela secreção formada, os lipídios passam facilmente pelo lúmen intestinal, enquanto os sais biliares são enfim liberados dos lipídios e voltando ao intestino. Na célula da mucosa, outra transformação acontece: sabe aqueles ácidos graxos e os monoglicerídeos que falamos mais acima? Então, eles acabam por voltar a formar novamente novos triglicerídeos, sendo estes, assim como o colesterol e os fosfolipídios, circundados como quilomícrons. Estes últimos são levados para a corrente sanguínea e não param por aí, acabam no fígado, lugar em que os triglicerídeos são novamente agrupados como lipoproteínas e assim são levados para três lugares importantíssimos: o tecido adiposo, o metabolismo e o armazenamento.

A partir daí, os lipídios que todos nós conhecemos bem acabam eliminados da seguinte forma: queimando energia. O que não serve para o tecido adiposo vai para a estocagem e o que não é mais necessário para o metabolismo também vai parar lá. Se gastarmos nossa energia, o metabolismo vai pegar um pouco do que está armazenado, mas se continuarmos gastando mais energia, nós vamos precisar de outra ingestão de lipídios.

Ou seja, você vai acabar perdendo aquelas gordurinhas que insistem em continuar aí dentro de você, estáticas, sem serventia alguma.

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